sábado, 2 de abril de 2011

Toca e Sai

Venho observando o futsal ultimamente e percebendo que, não só em Goiás mas no resto do país também, muitas equipes vem utilizando uma proposta de movimentação com a posse de bola que baseia-se no toca e sai. Nada contra, até se perceber que os atletas tocam e saem mas sem saber para onde. Simplesmente vão-se, mas sem nenhuma objetividade, sem padrão definido, sem caminho definido. Alguns podem dizer que assim dá-se liberdade para o atleta criar, movimentar sem fixar em um jogo rígido, mecânico, mas assim também o jogo torna-se empírico, sem planejamento.
As movimentações ditas padrões (Padrão redondo, ala pivô, padrão de meio, lado oposto, quatro em linha, etc.) se tornam rígidas quando o atleta que a executa não entende para quê ela serve, qual a finalidade de tais deslocamentos. Pois a partir do momento em que ele entende o processo como um todo (para onde vai, para onde volta, que espaço será criado e quais as possibilidades que a movimentação oferece) a liberdade para criar se torna maior e mais objetiva.
Mas outros poderiam dizer que executando um padrão a equipe adversária pode se adequadar àquela movimentação e neutralizá-la. Sim é verdade, por isso invoco o toca e sai utilizando-se padrões de movimentações pré definidas, onde o atleta tem consciência do porquê e do quê fazer quando se desloca da posição do fixo e vai para a posição do pivô, ou quando existe uma troca entre o ala e o pivô, ou o porquê em determinado momento utiliza-se a movimentação do "redondo". Desta forma se um atleta TOCA a bola e SAI para a ala, automaticamente ele está chamando um tipo de padronização de movimento, mas se este mesmo atleta TOCA E SAI pelo meio da quadra é outra movimentação que é necessária ser feita por toda a equipe e assim por diante, não se fixando a apenas um padrão de jogo, mas a vários, o que dá muito mais liberdade de ação para os atletas, mas são ações pensadas e objetivas, onde todos da equipe saberão o que fazer quando iniciada a movimentação.
Aparenta ser mais trabalhoso treinar desta maneira, e realmente o é, mas somente assim, sabendo realizar vários padrões de movimentos, e os entendendo é que o atleta dentro de quadra poderá escolher o melhor caminho a ser percorrido naquele momento, superando assim a marcação adversária.
O TOCA E SAI pode ser e é uma boa saída para as equipes, mas pelo contrário que se pudesse imaginar, tem sim que ser muito bem treinado e executado para que funcione e seja eficaz.
O que não dá é para ficar parado, pois como diria um velho amigo e treinador "O que fica parado apodrece!"